[Resenha] - Strange Angels - Lili St. Crow


Meu pai? Um zumbi.
Minha mãe? Morreu faz tempo.
Eu? Bem... Essa é a parte assustadora.

O Mundo Real é um lugar apavorante. Basta perguntar para Dru Anderson, uma órfã de 16 anos - garota durona que já acabou com sua parcela de bandidos. Ela está armada, é perigosa e está pronta para atirar primeiro e perguntar depois. Então, vai levar um tempo até que ela possa descobrir em quem confiar...

Dru Anderson se acha estranha por mais tempo do que é capaz de se lembrar. Ela viaja de cidade em cidade com seu pai, caçando coisas que nos aterrorizam à noite. Era uma vida bem esquisita, mas boa - até que tudo explode em uma cidade gélida e arruinada em Dakota, quando um zumbi faminto arromba a porta da cozinha.
Sozinha, aterrorizada e sem saída, Dru vai precisar de cada pedacinho de sua esperteza e treinamento para continuar viva. Seres sobrenaturais decidiram ser os caçadores - e desta vez, Dru é a presa. Chance de sobrevivência? De pouco a nenhuma.
Se ela não durar até amanhecer, acabou a brincadeira...

DRU ANDERSON NÃO TEM MEDO DO ESCURO, MAS DEVERIA.

"Havia algo atrás daquela porta, algo com cheiro de ferro e escuridão fria, um arrepio gelado que subia pela espinha. Igual a sensação que tive naquela casa caindo aos pedaços na periferia de Chattanooga, meu primeiro trabalho com meu pai, bem depois que um poltergeist começou a atirar caquinhos de vidro com força suficiente para fincá-los em uma parede inacabada e estragada, fazendo sonzinhos que lembravam um beijo barulhento.
Ou como naquele vilarejo na Carolina do Sul, onde o chefão vodu local mandou zumbis atrás da gente, porque o meu pai estava acabando com seus negócios, quebrando os feitiços que o chefão estava lançando nas pessoas que se metiam nos seus assuntos ou que não lhe davam o que queria. Precisei usar cada tiquinho de contrafeitiço que a minha avó tinha me ensinado e umas coisinhas de nossos livros, para anular algumas daquelas pragas velhas e perversas. Meu pai perdeu muito sangue lutando contra os zumbis. Aquilo foi bem ruim.
Essa sensação era pior. Muito pior mesmo.
Não entra aí, eu queria dizer. Há coisa aí. Não faz isso.
Ele caminhou pelo corredor e o zumbido piorou tanto que chacoalhava tudo ao meu redor, o sonho escorrendo como tinta colorida em papel molhado e, conforme estava recuando, eu lutava para dizer alguma coisa, qualquer coisa, para alertá-lo.
Ele nem ao menos olhava para cima. Continuava andando na direção daquela porta, e o sonho fechava como as lentes de uma câmera, a escuridão engolindo tudo pelas bordas.
Ainda estava tentando gritar quando meu pai, bem devagar, ergueu a mão sem a arma, como um sonâmbulo, e girou a maçaneta. E a escuridão atrás da porta gargalhava, e gargalhava, e gargalhava..."

[RESENHA] - Depois de muito ouvir falar desse livro, já que uma pessoa falou horrores sobre ele, que não tinha concistência, que era uma estória sem conteúdo, outras pessoas disseram que era razoável, então em caso de dúvidas o melhor seria eu tecer minha própria opinião, então decidi ler. Confesso que a princípio achei a estória batida e fiquei com a sensação de já ter vivenciado os fatos do livro em algum lugar, daí me lembrei dos Winchester de Supernatural, tem certos pontos que ligam a série ao livro, o que é muito bom. O livro é todo em narrativa, do ponto de vista de Dru Anderson.
Dru Anderson se tornou rapidamente minha personagem favorita com seu jeito despojado, prático e determinado. Ela tem a personalidade forte de quem não se ocupa com futilidades e que sabe que lá fora, no Mundo Real, há coisas muito mais importantes. Coisas que são assustadoras e perigosas.
Acho Graves interessante. Ele não tem família, vive sozinho. De boa. Centrado. Que quer ser alguém na vida. Enquanto Dru corre de um lado para o outro sem saber o que fazer.
A história ficou bem mais agitada depois que Christophe entrou nela. O que realmente fez com que minha opinião mudasse depois que ele chegou tudo ficou um pouco mais excitante. E eu realmente espero que ele seja o par romântico de Dru. Por que ele me conquistou realmente.
Mas sem dúvida o que mais me irritou foi a tradução do livro. Eu nunca vi uma história com tantas gírias repetitivas, e que estragaram muitos dos diálogos do livro. Imagina ler algo cheio de "Cê" ao invés de "você", "vambora" no lugar de "vamos embora" ou mesmo de "vamos" e outras tantas. Pode ser que o livro em inglês tivesse gírias, mas mesmo assim tem que saber o limite pra elas, era simplesmente irritante ficar lendo desse jeito. Também não pude deixar de notar que em vários momentos faltava as marcações de fala dos personagens e, como a narrativa é em primeira pessoa, a coisa ficava bem confusa.
A autora também cometeu deslizes. As cenas de ação poderiam ter sido muito melhor exploradas e bem mais explicadas. Então no geral o livro é bom, mas poderia ter sido muito melhor.
Enfim, muitas coisitas poderiam ser melhores, apesar de que a história é boa, talvez no próximo volume seja trabalhada de melhor forma. Vamos ver. Eu sempre digo, que gosto é gosto, várias pessoas amaram o livro, outras acharam legalzinho e outras odiaram, eu adorei, apesar dos deslizes, então é só lendo mesmo para tirar as próprias conclusões.