Lançamento - Giz Editorial - Meu Everest


Meu Everest
Realizando um sonho no topo do mundo

“O Meu Everest é, de longe, o melhor livro de trekking escrito em português!”
Guilherme Cavallari, diretor da Kalapalo Editora

Luciano trocou a gravata pela mochila e o paletó por uma "parka" impermeável. Marcou as férias, despediu-se da família e saiu direto de São Paulo - Capital, para o Campo Base do Everest, a 5,3 mil metros de altura, no Nepal. Sem nunca ter feito uma caminhada com mais de dois dias. Este livro conta como foi.

            "Como era gostoso ver a expressão no rosto da turma quando eu dizia que estava indo para o Everest. Para o Nepal. Para Kathmandu. Nomes mágicos, com uma sonoridade diferente, imediatamente remetendo para: AVENTURA. Aqui estava eu, entrando no avião, a caminho do meu sonho. Do meu Everest."
            "Vi gente que aparentemente não subiria uma escada, fazendo a trilha do Everest. Homens e mulheres com mais de 70 anos. Uma senhora, sexagenária, com uma perna mecânica. Gordos e magros. Jovens e velhos...tinha de tudo. Cada um tentando chegar ao sue Everest."
            "Enquanto eu estava no Brasil, imaginei mais de uma vez como seria interessante encontrar o Yeti, o Abominável Homem das Neves, no momento em que eu estivesse com minha máquina fotográfica em mãos. Pois andei perguntando para a turma de lá como é essa história."
            "Enquanto eu me preparava para dormir, pensei no local onde eu estava. O ruído das avalanches não deixava dúvidas: aquele lugar estava vivo. Os blocos de gelo estavam se movendo. As fendas se abrindo e fechando. A qualquer momento aquilo tudo podia vir abaixo."
            Sem heroísmo, sem sustos, sem super-homens. Este livro conta a aventura de uma pessoa comum diante de uma situação incomum. Podia ter sido você.


Sobre o Autor Luciano Pires:

            Luciano Dias Pires Filho nasceu em Bauru - SP, em 1956. Formou-se em Comunicação pela Universidade Mackenzie em 1977 e foi por 26 anos executivo de imprensa multinacional. É escritor, cartunista, radialista, montanhista, conferencista  mas, acima de tudo, um sujeito inconformado. Lançou em 2003 o Movimento pela Despocotização do Brasil que tinha como mote a pergunta e afirmação: "Você acha que o  Brasil está ficando burro? RESISTA! "

Conheça mais o autor acessando: www.lucianopires.com.br.


Dados Completos da Obra:
Meu Everest | Luciano Pires
336 páginas | 16 x 23 | 586 gramas | 6ª Edição | R$ 45,90
ISBN: 978-85-7855-144-5 | EAN: 9788578551445
Assunto: Viagens | Subcategoria: Narrativas


CAPÍTULO 1

A febre do Everest

Desde moleque, me interessei pelas aventuras dos exploradores do século passado. E do retrasado. E do anterior. Eu me lembro de que queria ser paleontólogo quando crescesse. Houve uma época em que eu comprava tudo quanto era livro sobre o assunto. Devia ter meus doze, treze anos. Levou algum tempo para descobrir que eu me interessava mais pelo processo da descoberta dos fósseis do que pelos fósseis em si. Ficava fascinado com os relatos das expedições ao deserto de Gobi, na Mongólia. Com as pinturas rupestres nas grutas de Lascaux, na França e, principalmente, com os exploradores que realizavam as proezas. Não foi à toa que assisti aos três fi lmes de Indiana Jones várias vezes. Ele foi inspirado num dos mais famosos caçadores de fósseis americanos: Roy Chapman Andrews.
Desenterrando fósseis, como Chapman; buscando a nascente do Nilo, como Richard Burton; encontrando a tumba de Tutankhamon, como Howard Carter; a caminho dos Polos Norte e Sul, como Roald Amundsen; buscando a passagem norte entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, como John Franklin; sendo caçado e caçando leões comedores de homens na África, como o Coronel H. Patterson; ficando meses preso no gelo da Antártida, como Ernest Shackleton; chegando ao cume do Everest, como Edmund Hillary e Tenzing Norgay. Não importa onde nem como. Essas aventuras sempre me fascinaram. Viajei junto com esses meus heróis pelo mundo todo através de livros, filmes e internet. Especificamente, o Everest sempre exerceu um fascínio sobre mim. Igual ao que exerce sobre todo mundo. A montanha mais alta do mundo. Sempre morrendo gente por lá. Aquele país místico que é o Nepal. Tudo muito longe, muito caro, muito difícil, muito perigoso, muito...
Por causa desse fascínio pelos exploradores, na minha primeira viagem aos Estados Unidos em 1984, coloquei no programa de Nova Iorque o Museu de História Natural e nunca mais deixei de, estando em Nova Iorque, ir visitá-lo. Lá estão os exploradores que eu sempre admirei, representados por suas histórias, pelos fósseis e artefatos exibidos. Não consigo descrever, por exemplo, meu estado de excitação, ansiedade e deslumbramento quando, no começo de 2000, estive lá, visitando a exposição Endurance, sobre a aventura de Ernest Shackleton e seu grupo, presos e perdidos no gelo da Antártida por quase dois anos.
Ver in loco os objetos, apreciar as fotos todas... Até hoje me arrepio quando lembro do momento em que botei a mão no James Caird, o bote que levou Shackleton até as Ilhas George e propiciou o salvamento de seus homens...
Para falar a verdade, estou escrevendo no dia 23 de junho de 2001, enquanto aguardo o embarque para meu voo de volta ao Brasil, no aeroporto JFK, em Nova Iorque, onde dei um jeito de ficar um dia após uma viagem a trabalho só para ir até o Museu Americano de História Natural. Pois estava eu pelos Estados Unidos quando fiquei sabendo, em 1997, da exibição de um filme chamado Everest no formato Imax. Eu nem me lembro se estava a trabalho ou em férias. Sem saber do que se tratava, mas me interessando pelo tema, fui assistir. Saí do cinema completamente fascinado pelas imagens, pela música, pelo show que é o documentário. Os caras tinham conseguido levar para o alto do Everest uma pesadíssima câmera e gravado as imagens mais espetaculares da maior montanha do mundo. Filmado e projetado no sistema Imax, cuja tela
gigantesca coloca as pessoas “dentro” do filme,
o Everest tornou-se um dos mais impressionantes documentários da história do cinema.
Na época, eu quase nada sabia da então recente tragédia de 10 de maio de 1996, quando vários alpinistas morreram durante uma tempestade
na montanha. Afinal, alpinista morrendo no Everest deixou de ser novidade há muito, muito tempo. O documentário falava do assunto, mas não trazia a dramaticidade da história. Em 1998 ou 1999, tive a oportunidade de ler No Ar Rarefeito, do jornalista Jon Krakauer, que foi um dos sobreviventes daquela tragédia. O livro passa a agonia e o tormento daqueles dias e impressiona pela sequência de histórias de vida e morte que se sucederam em algumas horas na montanha mais alta do mundo.
Pouco tempo depois, me vi outra vez em Nova Iorque diante de outro cinema que passava Everest. Fui ver de novo. Dessa vez, sabendo de toda história, o filme tomou outra dimensão e eu me apaixonei de vez pelo tema. Por causa de No Ar Rarefeito, e já contaminado pela febre do Everest, comprei A Escalada, de Anatoli Boukreev, o guia russo que foi herói e bandido durante a tragédia. Ele dava sua interpretação aos fatos.
Mais do que a tragédia em si, o que me fascinava na história era tentar entender o que levava um sujeito a largar sua família, seu trabalho, seu conforto para morrer no alto de uma montanha depois de comer o pão que o diabo amassou para chegar até lá. E também, a constatação de que o Everest liquidava até os mais treinados e experientes alpinistas. Não importando o preparo, os equipamentos, a infra-estrutura e os cuidados, a montanha é soberana sobre o destino de quem se aventura em suas alturas.
Essa mistura de coragem e risco, a região remota... Isso me atraiu, e comecei a ler tudo o que caía em minhas mãos sobre o assunto. Com a internet, então, foi uma festa. Li High Exposure, livro que conta a história de David Breashers, diretor do documentário Everest, responsável por levar aquela câmera até o alto da montanha e que participou ativamente do salvamento das vítimas daquela tempestade. Esse livro foi recentemente editado em português.
Li Everest — Mountain with no Mercy, de Broughton Coburn, espetacular livro que relata a experiência da equipe da Imax durante as filmagens. É, talvez, o melhor livro que li até hoje sobre o Everest. Depois, veio Tudo pelo Everest, de Waldemar Niclewietz. Mais tarde veio Lost on Everest, the Search for Mallory and Irvine, de Peter Firstbrook, relatando a busca pelo corpo de George Mallory, legendário alpinista inglês que desapareceu no Everest em 1924 e cujo corpo foi encontrado em 1999, mais de 70 anos depois.
Aí, comprei Ghosts of Everest, de Jochen Hemmleb, Larry A. Johnson e Eric R. Simonson, com o mesmo tema. Espetacular livro relatando como, a partir do trabalho teórico de um jovem alemão, uma equipe descobriu o corpo de George Mallory no Everest. Vale muito ler esse livro, que já tem edição em português. Em seguida, veio Na Estrada do Everest, de Airton Ortiz, que desmistifi cou as dificuldades do trekking até o Campo Base. Pô, era desconfortável, perigoso, distante, mas dava para ir!
Finalmente, veio The Arc contando a história do mapeamento da Índia e do descobrimento e batismo do Everest. Nessas alturas, sem trocadilho, eu estava muito por dentro do tema. E fi cava naquela do “um dia vou até lá”. Pois um dia entrei na internet disposto a descobrir se existiam pacotes turísticos que levassem a gente até o Campo Base. Afinal, se havia empresas que levavam clientes ao topo do Everest, poderia descobrir alguma que chegasse até o Campo Base. Achei um monte. Inclusive brasileiras.
Conversei com várias empresas que ofereciam pacotes diferentes, chegando a entrar em contato diretamente com alguns sherpas no Nepal. Escolhi duas empresas: Mountain Madness e Adventure Consultants.
Por coincidência, ou talvez não, empresas que pertenceram a dois dos mais experientes alpinistas do mundo que morreram naquele fatídico 10 de maio de 1996 no Everest: Scott Fischer e Rob Hall.
Por que as duas? Porque eram as únicas que ofereciam a estadia no Campo Base. A maioria, inclusive as brasileiras, oferecia visitas, dizia que dava para enxergar... Mas eu queria dormir lá. Queria saber como é que devia ser passar uma ou duas noites no Campo Base, numa barraca, exatamente como fizeram os exploradores de minha infância.
Acabei optando pela Mountain Madness. Um pacote que me custou quase 3 mil dólares e que incluía tudo, menos a passagem aérea.
Vale a pena dar uma olhada no www.mountainmadness.com. Eu seria o único estrangeiro na equipe. E acertei tudo com eles em abril de 2000, para a viagem que aconteceria em abril de 2001.
Uma coisa que é legal mencionar: algumas pessoas experientes me disseram que, para chegar ao Campo Base, não é preciso comprar pacote nenhum com empresa alguma. Basta ir para Kathmandu e acertar um guia por lá mesmo. Em vez dos 3 mil dólares, dá para fazer o programa por 600.
É verdade. Vi isso por lá, de montão. E cruzei com um mundo de gente fazendo assim. Pois é, mas acontece que sou casado. Tenho dois filhos. Não sou um aventureiro acostumado a botar a vida em risco.
Tenho de pensar nos meus em primeiro lugar. Por isso, eu queria uma empresa que me desse segurança, que tivesse experiência e tradição. Seria meu primeiro trekking. Eu ia começar de cara com o mais pesado, mais famoso, mais alto, mais mais...
Fiquei com a Mountain Madness.
Eu tremia enquanto lia meu primeiro email, já como cliente virtual deles:

11 de abril de 2000

Bom dia, Luciano,

      Estou incluindo o itinerário para o Trek de Suporte ao Everest. Ainda não definimos as datas para 2001, mas elas devem ser muito próximas das datas de 2000. Eu adoraria ajudá-lo a atingir seu objetivo de visitar o Campo Base do Everest. Será certamente a viagem da sua vida! Você voará para Kathmandu onde será recebido por um representante de nosso escritório local. Eles vão transportá-lo para o Hotel Sherpa onde você fi cará hospedado enquanto estiver em Kathmandu.
Para reservar seu lugar na viagem você deve preencher a requisição e nos mandar 500 dólares. A forma de pagamento está no formulário de inscrição, que você pode baixar de nosso site. O único equipamento que você vai precisar é o de uso pessoal como mochila, saco de dormir, etc. Quando você se inscrever para a viagem vamos mandar-lhe um kit de viagem que explica tudo o que você precisa fazer para se preparar para a sua aventura. Para se preparar fi sicamente para a caminhada você terá que treinar com uma mochila leve, reforçando suas pernas e costas e aumentando sua capacidade aeróbica. Será uma caminhada cansativa,com a altitude sendo um dos maiores desafios.
Se houver mais alguma coisa que eu puder fazer 
para ajudá-lo a “fazer acontecer”, me diga.


Patty Flanagan


Business Manager


Mountain Madness, Inc


4218 SW Alaska St


Seattle, WA 98116







Preenchi o termo de adesão. Sentei e fiquei olhando o papel, lendo, relendo e trilendo. Também olhava para o aparelho de fax, bem na minha frente. Era só ligar e passar os documentos. Apenas alguns segundos me separavam da corrida para meu sonho. Foi uma sensação esquisita. Eu tinha medo e excitação. O estômago estava gelado e o coração batendo forte. Pensei muito naquele instante, passaram por minha cabeça os perigos todos e a possibilidade de eu não voltar para casa inteiro...
Enquanto aquele papel corria pela bobina do fax, meu coração saía pela boca. Acredite, eu suava frio.
— Pai nosso, que estais no céu...
Pronto. Foi. E daquele momento em diante, eu deixei de ser um sonhador para ser um aventureiro realizando seus preparativos para ir ao Everest.
Eu disse E-V-E-R-E-S-T! — Me aguentem!
Logo chegaria a primeira cobrança e, dali para frente, não tinha mais volta. Aliás, tinha. Mas seria uma covardia. A passagem aérea acertei com a Domenico Turismo, do meu amigo Sérgio. Um pacote excelente, pela South African Airlines. São Paulo/Johannesburgo/Bangkok/Kathmandu e volta. Total: 1.440 dólares. Havia outras formas de ir, mais caras. E, possivelmente, até mais baratas. Mas eu preferi seguir esse roteiro e aproveitar para conhecer Bangkok. Aí, era começar a tratar do corpo e dos equipamentos... Tinha um ano para isso.